Há algumas semanas assisti o filme “The Theory of Everything(La teoria de tudo)” que conta (uma parte d’) a historia de Stephen Hawking. O filme é muito interessante e foi a desculpa que precisava para ler um livro do reconhecido físico británico.

Hoje (2017/03/22) acabei de ler o livro “Uma breve história do tempo” e estou me sentindo — como escrevi num email para um conhecido com o qual não falava há anos —  em partes iguais, assustado y entusiasmado.


O livro ensina muitas coisas sobre a ciência e alguns princípios que deveriam ser fundamentais para todos nós – que vivemos no século XXI – assim como a própria gravidade, a teoria de relatividade geral, a mecânica quântica, a teoria de cordas entre outras coisas. Mas, sobretudo nos fala sobre as pessoas e os processos que levaram elas às maiores descobertas em física (e cosmologia) no nosso século (XX).

É uma leitura obrigatória para saber todo o que aconteceu nos últimos 100 anos assim como o que vai, e deveria, acontecer nos próximos.


O título deste texto assim como a motivação de escrever o mesmo vem do capítulo de conclusão no qual Stephen (chamo ele como se fosse meu amigo da vida toda) menciona o Paradoxo da omnipotência e – imediatamente me fez pensar na ciência, na forma que ela traz tantas luzes e ao mesmo tempo podemos chegar numa posição escura na qual saibamos mais do que possamos controlar, queiramos saber ou possamos -realmente- compreender. Por outro lado me fez pensar na minha área, na tecnologia, sua implementação e onde colocar os limites nos projetos.

Pode um ser onipotente criar uma pedra tão pesada que mesmo esse ser não possa levantá-la?

Segundo Wikipedia “(…)O cerne deste paradoxo é a aptidão do ser omnipotente para realizar uma ação que limite a sua capacidade de realizar ações.” e é nesse sentido que é mencionado no livro. Mas, não é nesse sentido que eu quero falar hoje.

Não pretendo realizar uma analogia entre Deus (ou qualquer ser omnipotente) e nós, trabalhadores da informática assim que peço que tirem da sua cabeça o conceito do Paradoxo da Omnipotência e pensem numa frase parecida:

Podemos criar una pedra tão pesada pesada que acabe nos aplastando?

Foi nisso que pensei e como isso se relaciona ao que nós fazemos. Vou dar uns exemplos da área de software mas é facilmente aplicável a qualquer outra atividade.

Quando vamos a começar um projeto num cliente recebemos muita informação do mesmo sobre os problemas que temos que resolver. Na seguinte etapa do processo, entramos na organização e observamos estes problemas e, geralmente, vemos muitos outros.

Em parte por ingenuidade e boa disposição, sentimos atração por tentar aportar soluções para todos estes problemas e, como informáticos, visualizamos infinitas soluções tecnológicas, e isto pode fazer com que se perca o foco do projeto e o mesmo acabe sendo ineficiente e/ou falhe completamente.
Parece obvio que temos que evitar estes problemas secundários e nos focar nos primeiros. Mesmo sendo verdade, não podemos simplesmente ignorar aqueles outros inconvenientes que achamos.


Em engenharia de Software chamamos Engenharia de Requisitos à disciplina encarregada de recolher, analisar e documentar os problemas a resolver e o que precisamos para fazê-lo (requisitos). Esta disciplina nos oferece varias ferramentas para resolver o nosso assunto de como abordar todos os problemas sem nos desviar do foco.

O documento de requisitos tem que conter todos os problemas que encontramos na empresa e tem que deixar em claro quais deles serão abordados por este projeto.

Para quê serve isto? para não perder tempo ou nos desviar do objetivo e, ao mesmo tempo, demonstrar para o cliente que estamos entendendo a sua situação e (quase) todos os aspectos envolvidos.
Este documento serve para definir o quê iremos fazer no projeto e também nos oferece uma oportunidade de – num próximo projeto – resolver todos os problemas identificados anteriormente.


Trabalhemos com pedras de um tamanho que possamos carregar ou irá terminar nos aplastando.

abril 9, 2017 10:46 pm

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