Sobre 2018, o que senti ou o que não tive coragem de dizer mas consegui escrever

Dos beijos que talvez não nos demos

Há pessoas que fazem mais falta do que ato de presença, nos aconchegam mais em lembranças que abraços.
Há ilusões que são tão reais quanto tuas mentiras, que quase são verdade. E há verdades de pessoas quiméricas, como você.
Há coisas que não existem e coisas que não deveriam existir.
Eu não queria estar te escrevendo isto e espero que você não o esteja lendo.


Sobre as noites que duram o dia todo…

Se eu expremo meus segundos para chegar a te dizer as coisas tarde,
Se dedico horas para fazer um desenho que não passa de um esboço.
Que gasto todas minhas palavras sem poder dizer-te nada e te escrevo isso na madrugada porque sei que você não está sonhando comigo.
Esta noite somos austeridade e eu não posso mais do que ser um desperdício.


Sobre as vezes que não me arrependi

Hoje me arrependo de todas as vezes que não errei com você por medo de me arrepender.
Não deixo de pensar em todas as respostas que não me deu das perguntas que eu não fiz.
Se as vezes até minha voz falha quando intento contestar ao ar essas perguntas que você nunca quis fazer para mim.
Se nunca me mostrei trasparente para intentar me esconder e hoje intento mostrar-lhe tudo o que você já não quer ver.
Se só pudesse voltar atrás e quebrar tudo que eu fiz bem.
Porque há decisões erradas que valem a pena e porque se amar você fosse fácil eu não te amaria.
Se fosse possível dizer-te o que eu sinto não estaria escrevendo tanto para você, e se seu rosto saísse da minha cabeça eu não ia te desenhar em todos meus retratos.


Sobre o frío

Se são já tantas noites que não sonho com você
porque quase nem durmo
Se vão tantos dias que não me reconheço
Porque já não preciso usar minha máscara
Porque só quero te abraçar mais uma vez
Mas tenho medo…
Porque me fez ver o mundo com os seus olhos
E não consigo voltar ao meu
Porque eu toco em você e não sinto o frio,
Mas congelo
E como vou te falar que eu te amo se a única coisa que sinto hoje
É vontade de acordar com você amanhã…
Mas você me olha e esqueço tudo que aprendi sentindo sua falta quando você não esteve…


Sobre nosso centro de gravidade…

Porque a gravidade não funciona sempre
E minha memória também não…
Que eu caio no seus braços tantas vezes
E levanto tão poucas…


Foda-se o autocontrole

Se eu me surpreendo do meu autocontrole
Cada vez que você me olha, porque você não olha, você pede desculpas por ter vontade, por amar, por existir…
Que se no teu olhar vejo tudo o que você quer, tudo o que você quer dizer
E tudo o que não tem coragem de pensar
Porque eu tenho medo de te olhar e que você me veja, porque provavelmente eu responda sim…
Eu sempre tenho um sim na minha boca para cada uma das perguntas que não saem da sua,
Que eu quero te beijar e te dizer que sim,
Mas não me olhe que eu não quero te dizer..
Que desde que você me olha eu só quero que você feche seus olhos e fique a morar no que a gente inventou,
No que intentamos ser enquanto só somos dois corpos que se amam…


Para não pensar no teu sorriso…

Há tempo que eu não tenho tempo para pensar, mesmo que adore pensar em você…
E que lindo é não pensar em você,
Nem no seu sorriso maldito
Que lindo é não poder pensar em você porque eu tenho você tão perto,
Que não posso…


Antónimos

Se houvessem palavras suficientes
Para escrever até esquecer,
Um lugar onde olhar para não me ver,
Um silêncio que cale meus medos,
Minhas dúvidas…

Se houvesse tão só um abraço
Que me cure do seu abraço

Quero correr
Antes que o ar seja vento
E o vento leve o que ainda fica
No lugar que estava a felicidade


Sobre correr na chuva

Que fora o mundo estava caindo
E dentro eu estava me segurando
Para não cair aos teus pés,
Para não te dizer que quero arriscar tudo
Por você.
Que não tenho esperança
Nenhuma
Mas tenho vontade e medo
Em partes iguais
Que quero errar com você e comigo
Porque o nosso vale a pena
E chorar lembrando de você vai virar poesia
E minha rotina vai voltar,
Talvez você não

Fique hoje, que mesmo em dezembro
Quero seu abraço para me esquentar
Neste inverno constante em que vivo


Sobre o verão

Odeio o verão
Como odiava 2018
Quase como odiarei me despedir
De você
Que sempre odiei, e não sabia
Não presenciar a sua vida
Na minha

janeiro 1, 2019 7:30 pm
Retrato de Facundo Leites em tons de cinza

Sou Programador web, nascido na cidade de Posadas e co-fundador do projeto de viagens e origami Tsuru No Mundo

Morando —atualmente— em Curitiba.

Tem muita mais info sobre mim Aqui!


Idioma


Entre em contato

Me escreva —por qualquer motivo— pelo email hola@facundoleites.com.

Estou em muitas redes sociais. Me procure!

Tags

Categoria

Post recentes